No Museo de las Escuelas, na Argentina, a participação do público é o centro das exposições

Em maio de 2010, o projeto “Montagem de dispositivos participativos para a construção colaborativa de um novo roteiro narrativo e museológico do Museo de las Escuelas” recebeu o prêmio máximo da primeira edição do Prêmio Ibero-americano de Educação e Museus. O reconhecimento representou um forte aval à política museal e educativa da instituição, baseada no compromisso de elaborar as exposições centradas na experiência dos visitantes. Museo_de_las_Escuelas_INT2

Desde então, essa política de construção museal continua sendo o centro do trabalho no Museo de las Escuelas. Nele, se valoriza a participação real do público em todos os processos de concepção, desenho, montagem e desenvolvimento das exposições.

“No museu, se contam várias histórias ao mesmo tempo: a história conceitual, a história do desenho da exposição e a história dos visitantes. Dessa forma, o fio narrativo do museu se enriquece com as vozes do público”, explica Silvia Alderoqui, Diretora do Museo de las Escuelas de setembro de 2002 até dezembro de 2016. “A mistura resultante de todas essas histórias é o que configura e da forma à experiência de cada um.”

Os dispositivos participativos funcionam como um teatro de objetos, selecionados especialmente para contar histórias diferentes: uma sala de aula, o Jardim de Infância, o consultório médico da escola, o hall de entrada, o pátrio do recreio. Nesses espaços, os visitantes são convidados a recriar práticas escolares que viveram na infância – como a escrita, a leitura ou os jogos.

Especialista em didática das ciências sociais, educação artística e função pedagógica dos museus, Silvia Alderoqui afirma que é necessário entender os visitantes para que se aumente o público das instituições culturais.  “Ninguém nasce sendo visitante de museus. O que devemos fazer é deixar de pensar no que falta aos visitantes para que se convertam em nosso público, para trabalhar no que falta às instituições para serem mais atrativas para todas as pessoas”, analisa.

Prêmio Ibero-americano de Educação e Museus

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Com o prêmio de US$ 10 mil, o Museo de las Escuelas editou duas publicações: Lo que el borrador se llevó, que pode ser solicitada por todas as escolas de Buenos Aires e da Argentina; e Los visitantes como patrimonio, além de investir no desenho de novos protótipos para a participação dos visitantes e na organização de cursos, jornadas de capacitação e círculos de leitura.

Hoje, o Museo de las Escuelas organiza exposições em colaboração com outras instituições destacando o patrimônio cultural escolar e também aperfeiçoando seus dispositivos participativos.  Outras ações importantes são as mostras itinerantes, que passam por diversas realidades da cidade e do país. Os cursos de capacitação e profissionalização para educadores é outra das iniciativas de longo alcance.

Esta é mais uma das grandes histórias apoiadas pelo Programa Ibermuseos através do Prêmio Ibero-americano de Museus, que este ano chega a sua oitava edição, com lançamento previsto para 25 de abril. Desde sua primeira edição, foram reconhecidos 53 projetos de 12 países, que se caracterizaram pelo comprometimento social com as comunidades, por promover a diversidade e o encontro intercultural. Além desses, outros 92 projetos receberam menção honrosa. Podem participar do edital museus, instituições culturais ou educativas dos 22 países que compõem a Comunidade Ibero-americana.

Fotos: Museo de las Escuelas

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