Jovem Explorador, um exemplo para os museus pequenos da Ibero-América

Quando o projeto Jovem Explorador, apoiado pela Organização Pingo d’Água, recebeu o 1º lugar na Categoria I do VI Prêmio Ibero-americano de Educação e Museus, em novembro de 2015, os estudantes envolvidos na iniciativa ainda batalhavam para que o Ecomuseu de Pacoti se transformasse em realidade. Dezessete meses e outros cinco prêmios depois, o Jovem Explorador é um exemplo para museus de toda Ibero-América de como uma instituição pequena pode conseguir o apoio de sua comunidade para a preservação da memória coletiva.

“Até hoje nos mantemos com o dinheiro do prêmio do Ibermuseos”, explica Levi Jucá, o coordenador do projeto que recebeu US$ 15 mil em 2015. “A premiação possibilitou melhorar a estrutura do museu, tornando-o mais acessível e adequado para receber o público”, detalha o professor.

As atividades do projeto começaram em 2014, nas aulas de história do professor Levi Jucá na Escola de Ensino Médio Menezes Pimentel. A inspiração foi a comissão científica enviada por Dom Pedro II ao Ceará, em meados do século 19, para conhecer a região. Da mesma forma, grupos de 20 a 25 alunos se dividem em equipes de pesquisa (botânica, zoológica, geográfica e astronômica, geológica e mineralógica, e etnográfica ) para fazer um inventário dos bens do patrimônio cultural e natural da cidade.

Importante também foi o engajamento da comunidade de Pacoti, município cearense de 11 mil habitantes a 100 quilômetros da capital Fortaleza, após o reconhecimento internacional ao projeto. Dessa forma, não só os alunos da Escola Estadual de Ensino Médio Menezes Pimentel participam das ações do Jovem Explorador, mas também as famílias.

“O Ecomuseu de Pacoti segue a proposta da museologia social do século 21, que vê a instituição inserida no processo educacional das comunidades”, afirma Levi Jucá. Hoje, o museu oferece aos cidadãos de Pacoti e a visitantes duas opções de roteiros agendados: a Trilha de Memória, pelos edifícios e lugares históricos do município, e a Trilha na Mata, que mostra caminhos na região da Serra de Baturité. “Vemos a cultura e a natureza como partes integradas da história do município”, explica o coordenador.

Em fevereiro, o Projeto Jovem Explorador conseguiu mais um objetivo, ao ser formalizado como instituição sem fins lucrativos. A mudança é fundamental para que siga participando de feiras, congressos e prêmios, levando o nome de Pacoti a lugares tão distantes como Pequim, na China, onde o projeto foi apresentado na conferência “Be The Change Conference”, promovida pelo movimento global Design For Change, em dezembro de 2016.

Esta é uma das grandes histórias apoiadas pelo Programa Ibermuseos, através do Prêmio Ibero-americano de Museus, que este ano chega a sua oitava edição, com lançamento previsto para o próximo 25 de abril. Desde sua primeira edição, foram reconhecidos 53 projetos de 12 países, que se caracterizaram pelo comprometimento social com as comunidades, por promover a diversidade e o encontro intercultural. Além desses, outros 92 projetos receberam menção honrosa. Podem participar do edital museus, instituições culturais ou educativas dos 22 países que compõem a Comunidade Ibero-americana.

Fotos: Jovem Explorador / Ecomuseu de Pacoti