Cátedra Viva – A luta pela preservação do patrimônio ceramista

Por mais de 100 anos, a história econômica, social e cultural do município de El Carmen de Viboral, na Colômbia, esteve fortemente vinculada à cultura da cerâmica. Nas últimas décadas, esse patrimônio tem sido ameaçado por seguidas crises econômicas, que resultaram no fechamento das grandes fábricas da região. Ao mesmo tempo, as pequenas oficinas de artesãos não puderam competir com o mercado da porcelana chinesa e o aumento do consumo de utensílios de plástico, que quase acabaram com a produção local.

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Com o objetivo de resgatar esse patrimônio material e imaterial da cidade, o Instituto de Cultura El Carmen de Viboral desenvolveu o projeto “Cátedra Viva: Memória e Identidade”, um dos vencedores da Categoria II (projetos em fase de elaboração) da sétima edição do Prêmio Ibero-americano de Educação e Museus, em 2016.

“As crianças já não conhecem a importância da cerâmica para a cidade. E se não conhecem, não cuidam do patrimônio”, analisa María Eugenia García Gómez, diretora do Instituto de Cultura el Carmen de Viboral. “Através desse projeto, nos aproximamos dos educadores para que as crianças não percam a noção do papel da cultura ceramista na comunidade”, explica.

As primeiras ações do projeto “Cátedra Viva: Memória e Identidade” se baseiam em pedagogias participativas, que incluem as Oficinas Vivenciais de Trabalho com a Cerâmica, nas quais as crianças aprendem a mexer na cerâmica, permitindo gerar uma maior apropriação ao material e consciência em relação ao artesanato; os Percursos Extra Museus, em que os grupos observam as intervenções urbanas nas ruas da cidade e no Parque Principal, em cujas obras se misturam antigas e novas técnicas ceramistas; e as Visitas ao Museu da Cerâmica, nas quais grupos de estudantes das escolas municipais fazem o percurso pela instituição.

“Dessa forma, contribuímos para o fortalecimento dos processos de memória coletiva que se iniciam no Museu da Cerâmica e vão até a construção de um sentido compartilhado de identidade local vinculada ao patrimônio ceramista”, detalha María Eugenia. O objetivo é estabelecer espaços da capacitação, aprendizagem e interação entre crianças e jovens carmelitanos e artesão ceramistas.

Centro de Documentação da tradição ceramista

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Em 2017, com o uso dos recursos do prêmio de 10 mil dólares concedidos pelo Ibermuseus, se espera iniciar várias estratégias articuladas, como a realização de fóruns e debates para ampliar o diálogo e o conhecimento social em torno da tradição ceramista. Todas as ações estarão reunidas em um futuro Centro de Documentação da tradição ceramista, no qual se exporão os trabalhos e documentos bibliográficos e audiovisuais, fruto de anos de investigação local e regional. Atualmente se procura o local para a implantação do centro.

“Cátedra Viva: Memória e Identidade” é outro projeto apoiado pelo Programa Ibermuseus, por meio do Prêmio Ibero-americano de Museus, que busca a reconstrução do passado como a base da construção da memória coletiva de uma comunidade. Em 2018, o prêmio chega à sua oitava edição, com lançamento em 25 de abril.

Desde sua primeira edição, foram reconhecidos 53 projetos de 12 países, que se caracterizaram pelo comprometimento social com as comunidades, por promover a diversidade e o encontro intercultural. Além desses, outros 92 projetos receberam menção honrosa. Podem participar do edital museus, instituições culturais ou educativas dos 22 países que compõem a Comunidade Ibero-americana.

Fotos: Instituto de Cultura Carmen El Viboral

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