Aplicação da Recomendação Unesco de 2015 é debatida na abertura do Seminário “10 anos de cooperação entre museus”

Na Mesa Redonda de abertura do Seminário Internacional 10 anos de cooperação entre museus, ICOM, UNESCO e Ibermuseus debateram os instrumentos normativos internacionais no âmbito dos museus. Além de ser feito um histórico das importantes contribuições de cada uma das organizações para a proteção do patrimônio e o desenvolvimento de políticas públicas para os museus, foi amplamente debatida no evento a aplicação da Recomendação UNESCO referente à Proteção e Promoção dos Museus e Coleções.

Participaram da Mesa, Maria Ignez Mantovani Franco, presidente do ICOM/Brasil; Antía Vilela, representante da UNESCO/Brasil; e Magdalena Zavala Bonachea, Presidente do Conselho Intergovernamental do Programa Ibermuseus. A mesa foi moderada por Alan Trampe Torrejón, Subdiretor de Museus do Chile.

Magdalena Zavala destacou a importância para a museologia social de documentos como a Declaração da Mesa Redonda de Santiago do Chile, de 1972, e a Declaração da Cidade de Salvador, de 2007, que motiva a realização deste Seminário, ambos uma inspiração para a Recomendação Unesco, e ressaltou a importância do trabalho conjunto dos organismos para sua aplicação. “A união destas três dimensões – UNESCO, ICOM e Ibermuseus – geram a possibilidade de trabalhar em diferentes níveis com um mesmo objetivo.”

Os três organismos têm trabalhado ao longo dos últimos anos no fomento, fortalecimento e apoio à gestão museológica e na valorização do patrimônio cultural móvel. UNESCO, ICOM e Ibermuseus, desde suas competências, iniciaram um diálogo para cooperar na proteção e promoção de museus e coleções, fomentar discussões internas sobre os diferentes instrumentos existentes, assim como no fomento e no desenvolvimento de políticas públicas.

Políticas públicas para o desenvolvimento sustentável

A segunda Mesa Redonda do Seminário tratou do tema Políticas Públicas para o Desenvolvimento Sustentável. Representantes de Brasil, Colômbia, Portugal e Uruguai apresentaram realidades de seus países e reflexões sobre a aplicação dos quatro âmbitos da sustentabilidade em museus: social, cultural, econômica e ambiental.

Participaram do debate Marcelo Mattos Araújo, Presidente do Instituto Brasileiro de Museus; Daniel Castro Benítez, Diretor do Museu Nacional de Colombia; David Santos, Subdiretor da Direção Geral do Patrimônio Cultural de Portugal; e Javier Royer, Coordenador do projeto Sistema Nacional de Museus do Uruguai.

Foi destacada a importância, como parte fundamental da aplicação dos conceitos de sustentabilidade, do fortalecimento de políticas públicas que estimulem e assegurem o papel social dos museus; da valorização do trabalhos de museus médios e pequenos; e da museologia participativa.

Debate Aberto

Durante a sessão da tarde, foram apresentados os trabalhos selecionados na chamada pública do Seminário no debate Museus como agentes de mudança social: da teoria à prática.

Carolina Barcellos Ferreira, do Brasil, apresentou Museu e Escola: a produção de um material pedagógico voltado para o combate da intolerância religiosa. A professora da rede municipal do Rio de Janeiro propôs uma discussão sobre a questão da intolerância religiosa nos museos e nas escolas da cidade.

Miriam Barrón, do México, explicou o programa Experimentos autocríticos de uma coleção, MUAC en tu casa, que levou parte da coleção do Museu de Arte Contemporânea da Universidade Autônoma do México (MUAC) a residências e escolas, gerando, através da arte, posturas críticas ante a situação atual do país.

Alejandra Gabriela Panozzo, da Argentina, discutiu a museologia social na cidade de Rosário através da apresentação Contribuições para o tratamento do museu como agente de transformação social: três exposições problemáticas contemporâneas em três museus de Rosário.